Dor no escroto: Não cometa este erro!

Paciente de 27 anos, solteiro, teve relação sexual há cerca de 4 dias, desprotegida. Entre o primeiro e segundo dias após o contato sexual começa a perceber um incômodo no testículo da lado direito, sem nenhuma alteração visível de início. 

Entre o terceiro para o quarto dia já nota aumento daquele incômodo, que agora já se mostra como uma dor no escroto, mais constante, associado ao aumento de volume do escroto daquele lado, piora muito ao tocar, além de estar acompanhado de aumento de calor local e o escroto estar mais avermelhado. 

No quinto dia já bate o desespero, “Nossa, peguei alguma coisa ruim naquela relação, e agora??”

Todo homem com vida sexual ativo está sujeito a passar por este problema, principalmente se a relação for desprotegida. É caracterizada por um processo inflamatório agudo que pode acometer o epidídimo (estrutura que forma um “C” colada ao testículo), o testículo ou ambos. A via principal de contaminação é a canalicular ou ascendente, ou seja, bactérias que entram pelo canal da urina e por ele chegam a estas estruturas mencionadas.

Além da relação sexual, outras questões como cirurgia com manipulação uretral (canal de urina) recente, uretrites e comorbidades como diabetes são fatores de risco. Outros sintomas podem acompanhar o quadro como ardência ao urinar, saída de secreção pelo canal da urina que fica ali sujando a cueca, aumento da frequência urinária e até febre.

Estamos falando da ORQUIEPIDIDIMITE AGUDA. Condição que quando diagnosticada em momento oportuno e tratada de forma adequada tem poucas chances de evoluir com complicações ou gerar algum dano permanente no testículo. 

Quando há demora na procura pelo urologista ou não é tratada de forma adequada tem potencial de se tornar algo muito grave, principalmente em diabéticos, quadro este que chamamos de Síndrome ou Gangrena de Fournier (assunto para outro post).

Na grande maioria dos casos, o diagnóstico baseia-se na história que o paciente conta e nos achados do exame físico, com o testículo e/ou epidídimo acometido aumentado de volume, avermelhado, mais quente ao toque e muito doloroso. Um dos sinais que costumamos avaliar neste momento é se há melhora parcial da dor quando elevamos o testículo, chamado Sinal de Prehn positivo, que demonstra tratar-se de um processo inflamatório agudo.

A realização da ultrassonografia nos auxilia na confirmação do diagnóstico, na exclusão do principal diagnóstico diferencial que é a torção de testículo e na avaliação de complicações como o abcesso testicular.

Apesar de não ser exclusivamente de transmissão sexual, quando uma relação sexual desprotegida faz parte da história recomenda-se a investigação das chamadas ISTs – infecções sexualmente transmissíveis, tanto no próprio paciente quanto na parceira (o), além da orientação de manter abstinência sexual até o término do tratamento.

O tratamento envolve uso de anti-inflamatórios, elevação escrotal por meio do uso do suspensório escrotal, popularmente chamado de “saqueira”, e de antibióticos orais por cerca de 7 a 14 dias.

Mensagem que fica: Não adie a procura por ajuda médica quando o assunto for dor aguda no escroto!

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Dr Bruno Vedovato

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